Agência americana indica 82% de chance de o fenômeno se confirmar até julho de 2026. Especialistas da USP explicam como o El Niño altera o tempo e mexe com a agricultura no Brasil.
USP – A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência científica do governo dos Estados Unidos, publicou um relatório que acende um alerta para o clima global. Os dados apontam que há 82% de chance de o fenômeno El Niño se consolidar até julho.
O El Niño é um evento natural que acontece quando as águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal. Essa mudança mexe com os ventos e altera o ritmo das chuvas e das temperaturas em todo o planeta, inclusive no Brasil.
Veja abaixo como o fenômeno se forma e quais são os impactos esperados para a nossa região e para o país:
Como o El Niño se forma?
Em tempos normais, os ventos sopram de leste para oeste no Oceano Pacífico, empurrando a água quente para perto da Austrália e deixando a água mais fria perto da América do Sul.
Segundo a professora Nádia Lima, do Departamento de Geografia da USP, o El Niño começa quando esses ventos enfraquecem. Sem a força dos ventos, a água quente se espalha pelo oceano e muda toda a circulação de ar no mundo. A ciência confirma o fenômeno quando a temperatura da água nessa região fica pelo menos 0,5ºC acima da média por alguns meses seguidos.
Os efeitos do El Niño no Brasil
Os impactos do fenômeno não são iguais em todo o país. O Brasil tem tamanho continental, o que faz com que cada região sinta o clima de um jeito diferente:
- Região Sul: Há uma grande tendência de aumento das chuvas. Isso aumenta o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra nas cidades.
- Regiões Norte e Nordeste: O efeito é o oposto, com menos chuva e calor mais forte, o que pode causar secas prolongadas e aumentar o risco de queimadas na Amazônia e no sertão.
- Regiões Sudeste e Centro-Oeste: Os impactos são mais variáveis. O clima vai depender da força do fenômeno e de como ele vai interagir com as frentes frias que vêm do Oceano Atlântico.
Prejuízos e preparação na agricultura
O El Niño mexe diretamente com a produção de alimentos e com a conta de energia. Nas áreas com excesso de chuva, o solo pode ficar encharcado, o que atrapalha o plantio, a colheita e favorece doenças nas plantas. Já nas regiões de seca e calorão, culturas como soja, milho, feijão e café podem perder produtividade.
O professor Tercio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP, explica que hoje a tecnologia ajuda a prever esses eventos com antecedência. Isso permite que os agricultores escolham a melhor época para plantar e usem sementes mais resistentes. A previsão também ajuda a Defesa Civil a preparar abrigos e retirar famílias de áreas de risco antes de grandes temporais.
Será um “Super” El Niño?
Embora a mídia costume usar nomes chamativos como “Super El Niño“, os cientistas preferem medir o fenômeno por números. De acordo com o professor Ambrizzi, as projeções atuais indicam que o próximo El Niño deve ter uma intensidade moderada (com aquecimento entre 1ºC e 1,5ºC). Novas simulações de computador serão feitas para cravar com certeza qual será a força real do fenômeno.
E você? Já começou a sentir as mudanças no tempo na nossa região? Trabalha na agricultura ou se preocupa com o impacto das chuvas na sua rotina?
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Com informações do Jornal da USP
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