Estudos mostram que o composto da cannabis ajuda a reduzir dores e inflamações após treinos intensos. Especialistas da USP explicam os benefícios e alertam sobre os cuidados com o uso.
RIBEIRÃO PRETO – Com o calendário de jogos e treinos cada vez mais apertado, o mundo do esporte está buscando novas formas de acelerar a recuperação física dos atletas. Uma das novidades que vem ganhando força é o uso do canabidiol (CBD), um composto derivado da planta cannabis. Na medicina, a substância já é usada para tratar dores, inflamações e casos de epilepsia. Agora, ela começa a mostrar resultados positivos também no desempenho esportivo.
Diferente do THC (outra substância da maconha), o canabidiol não provoca alterações na percepção e não causa efeitos associados à psicose.
Veja abaixo como funciona o tratamento e o que dizem os especialistas:
Uso inovador no futebol paulista
O time da Portuguesa, da capital paulista, é um dos pioneiros no uso da substância em seu departamento médico. No clube, o tratamento é feito de forma diferente: por meio de uma kinesiotape, que é aquela fita adesiva colorida muito usada na fisioterapia.
A fita vem impregnada com o canabidiol e é colada direto nos músculos inflamados dos jogadores. Segundo o médico esportivo do clube, Turíbio Leite de Barros, a aplicação traz resultados rápidos:
- Diminui as dores musculares em menos tempo;
- Ajuda a recuperar a força do músculo;
- Antecipa a volta do atleta para os treinos e competições.
Como a substância age no corpo?
De acordo com Alline Campos, professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e coordenadora do Centro de Pesquisas em Canabinoides, o CBD tem três ações principais no organismo: antioxidante, anti-inflamatória e de proteção das células. Juntas, essas propriedades ajudam a combater o estresse físico e a fadiga muscular após esforços muito pesados.
Além disso, as pesquisas apontam que o canabidiol pode ajudar a diminuir a ansiedade e a melhorar a qualidade do sono dos competidores.
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Substitui os remédios comuns?
Uma das grandes dúvidas é se o canabidiol pode substituir os anti-inflamatórios tradicionais de farmácia. A professora da USP explica que ainda não existem provas científicas de que o CBD consiga substituir totalmente as medicações comuns no esporte de alto rendimento.
O que se nota na prática é uma diminuição na necessidade desses remédios. Ou seja, o atleta passa a tomar doses menores e com menos frequência. A especialista alerta que os estudos sobre o tema ainda estão em desenvolvimento e deixa um aviso importante: a automedicação, seja com remédios comuns ou com produtos de cannabis, traz sérios riscos à saúde e deve ser evitada. Todo tratamento precisa de acompanhamento médico.
E você, Já tinha ouvido falar no uso do canabidiol para tratar dores e ajudar atletas? Acha importante que a ciência estude novas opções para a saúde?
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Com informações do Jornal da USP
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