Especialistas alertam para os riscos do viés algorítmico e destacam a importância de checar informações no ambiente digital.
SÃO PAULO – A participação dos jovens nos debates políticos ganha força no período eleitoral, impulsionada pelo acesso direto às mídias digitais. Se por um lado os ambientes virtuais aproximam os eleitores de primeira viagem das discussões sobre o País, por outro trazem obstáculos para o desenvolvimento da capacidade crítica, devido a mecanismos algorítmicos que recomendam publicações semelhantes às que o público já consome, além do uso recorrente de trechos descontextualizados e conteúdos em formato curto.
Diante do volume de dados em circulação, o estudante de ensino médio Enrico Siqueira, de 18 anos, afirma que utiliza o ambiente digital como estímulo inicial, mas faz buscas em portais jornalísticos e plataformas como TikTok e Instagram para conhecer posicionamentos divergentes. O eleitor, que votará pela primeira vez em 2026, relata que procura analisar diferentes narrativas e ponderar as opiniões do núcleo familiar para construir um voto de forma autônoma.
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Papel das instituições e integridade do pleito
A necessidade de preservação da transparência durante o processo de escolha foi ressaltada pelo advogado Luiz Eugênio Scarpino Junior, especialista em Direito Eleitoral e Digital e pós-doutorando da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FDRP-USP). O especialista aponta que os nativos digitais não necessariamente compreendem todas as estruturas que orientam a circulação das mensagens no meio virtual, o que exige atuação da Justiça Eleitoral no fornecimento de dados e contexto histórico aos novos cidadãos.
Scarpino Junior, que também é docente na Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), enfatizou a importância do combate à desinformação por meio de um trabalho conjunto entre o Judiciário, as redes de tecnologia, os postulantes aos cargos públicos e a sociedade. Segundo o jurista, a cooperação visa assegurar a integridade do ecossistema de dados para que os eleitores façam escolhas fundamentadas e livres de distorções.
Com informações do Jornal da USP
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