Quaest: Aprovação de Lula abre 8 pontos sobre Flávio Bolsonaro

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Influenciado pelo programa Desenrola, isenção do IR e debates sobre a jornada de trabalho, o petista registra seu melhor desempenho desde o fim de 2024. No campo oposto, briga de família com Michelle desgasta o senador do PL.

POLÍTICA – A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) trouxe um cenário de forte alento para o Palácio do Planalto e de acentuada preocupação para a oposição. O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 10 e 13 de julho, revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oito pontos percentuais de vantagem em uma simulação de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Lula aparece com 45% das intenções de voto contra 37% do parlamentar.

O resultado consolida uma tendência de distanciamento entre os dois principais polos da política nacional. Em maio, os dois figuravam em empate técnico (42% a 41%), após o senador fluminense ter chegado a liderar numericamente a disputa em abril (42% a 40%).

Abaixo, veja os detalhes dos cenários eleitorais de primeiro e segundo turno, os fatores econômicos que impulsionaram o governo e as crises familiares que enfraqueceram a oposição:

Lula vence em todos os cenários de 2º turno

 

O levantamento testou quatro cenários para o segundo turno da corrida presidencial. Em todas as simulações, o atual presidente seria reeleito caso o pleito fosse hoje:

  • Lula x Flávio Bolsonaro: Lula lidera com 45% contra 37% de Flávio (14% de brancos/nulos e 4% de indecisos);

  • Lula x Ronaldo Caiado (PSD): Lula registra 45% contra 36% do governador de Goiás;

  • Lula x Romeu Zema (Novo): O petista vence por 45% a 35% do ex-governador mineiro;

  • Lula x Renan Santos (Missão): A maior vantagem de Lula ocorre neste cenário, com 45% contra 33% do representante do Missão.

No cenário de primeiro turno, Lula lidera com folga ao atingir 40% das intenções de voto. Ele é seguido por Flávio Bolsonaro com 28%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. Outros nomes como Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) pontuam 1% cada. Brancos, nulos e abstenções somam 11%, e 8% permanecem indecisos.

Economia e pautas sociais explicam arrancada de Lula

 

Pela primeira vez desde dezembro de 2024, a aprovação do governo Lula superou numericamente a desaprovação: 48% dos entrevistados aprovam a gestão atual, enquanto 47% desaprovam. Trata-se de uma virada significativa para quem, em abril deste ano, enfrentava uma desaprovação de 52% contra apenas 43% de aprovação.

De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a recuperação da imagem governamental está diretamente ancorada em três medidas práticas e de forte apelo popular:

  1. Efeitos do “Desenrola 2.0”: O programa de renegociação de dívidas é conhecido por 66% da população e avaliado como uma ótima iniciativa por 55% dos entrevistados. O reflexo no bolso é visível: o índice de endividados extremos caiu de 28% para 21% em dois meses, e 35% dizem ter sentido aumento real na renda após limparem o nome;

  2. Fim da Escala 6×1: A proposta de redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais — aprovada recentemente na Câmara dos Deputados — conta com o apoio massivo de 69% dos brasileiros. A medida cria uma forte expectativa de ganho de qualidade de vida, contaminando positivamente a percepção sobre o governo, inclusive entre eleitores identificados com a direita;

  3. Isenção do Imposto de Renda: A isenção tributária para quem ganha até R$ 5 mil passou a ser percebida de forma mais clara pela população. Se em fevereiro metade dos entrevistados dizia não notar diferença no salário, hoje 24% afirmam que a mudança aumentou significativamente o orçamento doméstico.

A recuperação mais nítida ocorreu no estratégico grupo de eleitores independentes (que correspondem a 33% do eleitorado e não se declaram nem de direita nem de esquerda). Nesse estrato, a desaprovação ao governo Lula desabou de 58% em abril para 45% em julho, enquanto a aprovação saltou de 32% para os mesmos 45%.

Crise de família desidrata o eleitorado de Flávio Bolsonaro

 

Se Lula capitalizou os acertos econômicos, o clã Bolsonaro sofreu duras baixas internas que refletiram nas urnas. O principal elemento de desgaste para o senador Flávio Bolsonaro foi o vazamento de vídeos contendo discussões e trocas de acusações com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em que ela afirmava ter sido maltratada por ele.

O conflito, que se tornou de conhecimento público para metade do país (49%), provocou estragos severos:

  • Concordância com Michelle: 42% dos brasileiros concordam mais com a postura de Michelle, enquanto apenas 18% dão razão ao senador;

  • Aprovação da atitude: Para 45% dos consultados, Michelle agiu certo ao expor a briga familiar na internet;

  • Perda de moderação: A percepção de que Flávio é uma figura mais moderada e de diálogo dentro de sua família recuou de 33% para 29% no último mês.

A desavença familiar provocou uma fuga de eleitores na própria base conservadora. Entre a direita não bolsonarista, as intenções de voto em Flávio desabaram de 82% em junho para 74% em julho. Até mesmo entre os bolsonaristas raiz, o senador oscilou negativamente de 97% para 91%.

Esse enfraquecimento abriu espaço para o crescimento de outras alternativas de oposição no eleitorado bolsonarista em simulações de segundo turno: Romeu Zema subiu de 78% para 85% de apoio nesse grupo, enquanto o pré-candidato Renan Santos saltou de 74% para 81%.

Operação da PF contra Jaques Wagner afeta menos do que o esperado

 

A pesquisa também mediu os efeitos da recente operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo no Senado, suspeito de envolvimento em um suposto recebimento de propina ligada ao Banco Master.

Embora 61% dos que tomaram conhecimento do fato considerem que o parlamentar baiano agiu de forma errada e 37% avaliem que a denúncia traz impactos “muito negativos” para a campanha do PT, a rápida reação do governo em afastar Jaques Wagner da liderança blindou a figura pessoal do presidente Lula, minimizando os danos eleitorais práticos no cenário geral.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026 e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Faltando menos de três meses para o primeiro turno, a decisão de voto é considerada definitiva por 65% dos entrevistados, enquanto 35% ainda admitem mudar de ideia até o dia da votação.

A economia e a união política parecem ditar o ritmo da corrida eleitoral de 2026. Como você avalia a aprovação das medidas econômicas do governo e os constantes conflitos internos na oposição?

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