Jovem telefonou para a polícia após tomar medicamentos. Local tinha sujeira, falta de comida e uma criança de oito anos sozinha.
ITATIBA – O pedido de ajuda feito por uma garota de 15 anos via telefone 190 mobilizou a Polícia Militar até o bairro Tapera Grande. Ela havia ingerido uma quantidade elevada de medicação com o objetivo de dar fim à própria vida.
A ligação recebida pela central do Copom repassou o caso à equipe dos cabos De Matos e Spencer, que patrulhava a região. Os policiais contaram com o suporte do Comando de Grupo Patrulha (CGP II) para achar o endereço da ocorrência, situado em uma chácara na área rural.
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Ao entrarem na casa, os agentes constataram que a garota já sofria os efeitos da medicação, demonstrando pouca reação e lentidão motora. No mesmo local, acompanhada apenas da jovem, estava uma criança de oito anos. Nenhum responsável adulto se encontrava na propriedade naquele momento.
Encaminhamento ao hospital e estado da jovem
Diante do quadro, a adolescente foi colocada na viatura e levada às pressas ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba. O percurso exigiu acompanhamento constante das funções vitais e do estado de consciência da paciente.
O atendimento médico de urgência ficou a cargo da médica de plantão, que reverteu a gravidade do quadro e tirou a paciente do perigo de morte. Consta nos relatos enviados à polícia que a menor passa por consultas quinzenais com profissional de psicologia.
Abandono de incapaz e apuração policial
Diante da suspeita de que pudesse tentar fugir, o pai das garotas foi conduzido pelos policiais até o Plantão Policial de Itatiba. Ao prestar esclarecimentos, declarou estar proibido de se aproximar do imóvel por força de medidas protetivas, informando que a ex-mulher mora lá com as filhas e que seu último contato com a jovem ocorreu no ano anterior. Após depor, ele foi solto.
A PM efetuou sucessivas ligações para a mãe, sem conseguir falar com ela inicialmente. Tempos depois, soube-se que ela estava na unidade hospitalar junto da jovem. Em relação à garota de oito anos, a avó paterna, que reside em outro imóvel situado no mesmo terreno, assumiu os cuidados da neta.
A fiscalização no imóvel revelou um ambiente sem condições mínimas de habitabilidade, marcado por sujeira excessiva, ausência de mantimentos e falta de água própria para consumo. Acionado para intervir, o Conselho Tutelar pontuou que os familiares já possuem cadastro e acompanhamento junto ao CREAS.
O delegado José Mario De Lara registrou a ocorrência como abandono de incapaz e determinou o indiciamento dos genitores para prestar esclarecimentos, formalizando também a ocorrência de tentativa de suicídio.
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