Relatório de 2026 do GPMB aponta alta na frequência de doenças infecciosas. Diretor da USP explica os perigos da degradação ambiental e avisa: o Brasil não fez a lição de casa legislativa.
GENEBRA – O risco de o mundo enfrentar uma nova crise sanitária global é real e está aumentando. O Global Preparedness Monitoring Board (GPMB), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou seu relatório oficial de 2026 com um alerta severo: os surtos de doenças infecciosas estão se tornando mais frequentes e graves em todo o planeta.
O professor Fernando Aith, da Faculdade de Saúde Pública da USP e diretor do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário (Cepedisa), explica que a circulação global de pessoas e mercadorias acelera a velocidade com que um vírus cruza fronteiras. No entanto, os maiores gatilhos para o surgimento de novas ameaças estão na ação humana.
Abaixo, confira os fatores de risco apontados pelos cientistas e a situação do Brasil diante de uma eventual nova emergência:
Degradação ambiental e mutação de vírus aceleram surtos
A expansão desordenada das cidades e a destruição de áreas naturais funcionam como portas de entrada para novas enfermidades. Ao invadir florestas, o ser humano intensifica o contato com animais silvestres. Esse cenário facilita o salto de patógenos de bichos para pessoas.
A comunidade científica acompanha com preocupação os surtos recentes de duas doenças graves:
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Ebola: Transmitido originalmente por morcegos;
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Hantavírus: Disseminado por roedores silvestres.
Aith destaca que a capacidade de mutação dos vírus agrava a situação. Agentes que antes circulavam apenas no reino animal passam por mudanças genéticas que facilitam a infecção humana. O perigo máximo ocorre quando um vírus reúne duas características: alta facilidade de transmissão e elevada taxa de letalidade.
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O calcanhar de Aquiles do Brasil: A falta de leis permanentes
O Brasil possui ferramentas de peso para detectar focos de transmissão e coordenar campanhas de vacinação, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Apesar disso, o país enfrenta uma vulnerabilidade jurídica perigosa.
O diretor da USP revela que o Brasil não conta com uma legislação nacional permanente para organizar o enfrentamento de crises sanitárias:
“Durante a pandemia da Covid foi criada uma lei temporária. Ela perdeu sua vigência junto com o fim da pandemia, e hoje nós não temos uma legislação nacional organizando o País para uma resposta a pandemias, o que pode nos levar à mesma situação que tivemos”
O pesquisador conclui que o período da Covid-19 trouxe grandes lições, mas o país avançou pouco na adoção de medidas estruturais. Sem regras fixas que determinem as responsabilidades de estados, municípios e da União, o Brasil corre o risco de reviver o mesmo nível de desorganização administrativa e política caso um novo vírus de alta gravidade surja nos próximos anos.
E você? Acredita que o poder público e os hospitais da nossa microrregião aprenderam as lições da última pandemia e estão mais preparados hoje? Costuma manter sua carteira de vacinação atualizada como prevenção?
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