Quem nunca sentiu azia, queimação ou a comida “voltando” após a refeição? Esses desconfortos são sinais clássicos de refluxo gastroesofágico, uma condição em que o conteúdo do estômago retorna pelo esôfago, causando aquela sensação desagradável e recorrente.
Segundo o professor Eduardo Grecco, especialista em endoscopia digestiva alta pelo Hospital das Clínicas da USP, o problema é que o esôfago não possui a proteção contra o ácido gástrico que o estômago tem. “Quanto menos tempo o ácido permanecer no esôfago, melhor”, alerta o médico.
Cuidados essenciais para aliviar os sintomas
Evitar o desconforto causado pelo refluxo passa por hábitos simples, mas eficazes:
- Optar por refeições leves e de fácil digestão
- Mastigar bem os alimentos
- Evitar se deitar logo após comer
- Eliminar o cigarro da rotina
Eduardo Grecco reforça que, ao perceber sintomas como dor no peito, pigarro constante, tosse seca ou rouquidão, é essencial buscar orientação médica. “Automedicação pode mascarar sintomas e agravar o quadro”, destaca.
Nova classificação traz diagnóstico mais preciso
A grande novidade no combate ao refluxo está na nova classificação da doença, que propõe um sistema de pontuação (score) para definir melhor o tipo de refluxo que o paciente apresenta.
Antes, os casos eram divididos entre esofagite erosiva e não erosiva. Agora, o novo sistema leva em conta o perfil clínico do paciente, permitindo uma avaliação mais personalizada e precisa.
Segundo o especialista, “nem todo refluxo ocasional representa uma doença. Essa nova classificação ajuda a diferenciar isso”.
🔍 Exames Modernos Ajudam na Detecção Correta
Dois exames principais ajudam os médicos a entender melhor o tipo de refluxo:
- Manometria – avalia a motilidade do esôfago
- PHmetria – mede o nível de acidez no esôfago
Esses testes determinam se o refluxo é ácido, não ácido ou gasoso, o que influencia diretamente na escolha do tratamento mais eficaz.
Nova era no tratamento do refluxo afeta milhões de brasileiros
Com cerca de 20 milhões de brasileiros afetados pelo refluxo, a nova classificação representa um passo importante na medicina digestiva. A expectativa é que os diagnósticos sejam mais precisos, com tratamentos mais eficazes e menos genéricos.
Ao menor sinal de tosse persistente, pigarro ou queimação, não hesite: procure um especialista. A prevenção pode evitar complicações graves, como úlceras ou até câncer de esôfago.
Com informações da Rádio USP