O Congresso inventou o parlamentar fantasma

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✏️ Resumo rápido:

Durante anos, ouvimos o velho discurso de que o problema do Brasil era “o tamanho do Estado”. Enquanto isso, alguém inventava um Estado paralelo dentro do próprio Congresso.

Agora descobrimos uma figura inédita na zoologia política brasileira: o deputado sem mandato.

O sujeito perde a eleição. É cassado. Fica dez anos longe das urnas. Mas continua distribuindo centenas de milhões em emendas como quem reparte convites para um churrasco de domingo.

Então tá…

Parece que, em Brasília, mandato virou detalhe burocrático.

Segundo a investigação da Polícia Federal, Eduardo Cunha e Valdemar Costa Neto teriam influenciado a destinação de recursos públicos mesmo sem exercer qualquer cargo parlamentar. Se as acusações forem confirmadas pela Justiça, significa que o voto popular passou a ser um acessório decorativo.

A Constituição diz que quem representa o povo são os eleitos.

A prática parece dizer outra coisa: quem manda é quem conhece a porta dos fundos.

O mais curioso é que o escândalo nasce justamente do filho legítimo do famigerado orçamento secreto. Mudaram o nome, trocaram a embalagem, criaram novas regras, colocaram mais planilhas, mais sistemas, mais atas, mais transparência no papel.

Só esqueceram de combinar com a velha política.

É como pintar uma parede mofada. A tinta é nova. O mofo continua trabalhando em silêncio.

Enquanto hospitais esperam verbas, escolas precisam de reformas e municípios disputam recursos, existe uma engenharia sofisticada para decidir quem leva o dinheiro público. E, segundo a PF, parte dessa engenharia seria conduzida por pessoas que já nem deveriam estar pilotando esse avião.

O Brasil é um país fascinante.

Aqui existe motorista sem carteira, engenheiro sem obra, influencer sem influência e, agora, parlamentar sem mandato.

A ironia maior é que muitos dos mesmos políticos que vivem discursando sobre meritocracia parecem acreditar que mandato também pode ser hereditário. Não importa o que o eleitor decidiu. Importa quem continua com a chave do cofre.

É por isso que o debate sobre emendas nunca foi apenas técnico.

Quando bilhões de reais circulam sem que o cidadão consiga identificar claramente quem pediu, quem autorizou, quem recebeu e por quê, o orçamento deixa de ser instrumento de política pública e passa a funcionar como moeda de poder.

E democracia sem transparência é igual nota de três reais: até aparece de vez em quando, mas ninguém deveria aceitá-la como verdadeira.

No fim das contas, talvez a maior invenção da política brasileira não tenha sido o orçamento secreto.

Foi conseguir criar representantes do povo… sem precisar do povo.

Então tá.

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