SÃO PAULO – O Governo do Estado de São Paulo emitiu um alerta epidemiológico rigoroso sobre os perigos da ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas durante as festividades de 2026. A fiscalização foi reforçada para prevenir novos casos de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica que já causou dezenas de vítimas em território paulista. A orientação é que foliões adquiram produtos apenas em estabelecimentos regularizados e desconfiem de bebidas de procedência desconhecida.
As ações são coordenadas pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS), que atua em conjunto com as esferas municipais para inspecionar bares, depósitos e vendedores ambulantes. Além da busca por produtos clandestinos, a força-tarefa foca no cumprimento da lei estadual que proíbe a venda de álcool para menores de 18 anos. O esforço preventivo tenta conter um surto que já apresenta números alarmantes antes mesmo do início oficial da folia.
Leia também:
Primeiro dia de carnaval em SP tem estreante, campeã e vice de 2025
André Mendonça é o novo relator do inquérito do Master
Justiça suspende regras de escolas cívico-militares em SP
Balanço de vítimas e óbitos confirmados
De acordo com o boletim atualizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), já foram confirmados 52 casos de intoxicação por metanol no estado, resultando em 12 mortes. As fatalidades atingiram diversas cidades: São Paulo lidera com quatro óbitos, seguida por Osasco (3), São Bernardo do Campo (2), além de registros individuais em Jundiaí, Sorocaba e Mauá. Outras quatro mortes suspeitas em Guariba, São José dos Campos e Cajamar seguem sob investigação laboratorial.
O metanol é um álcool industrial que, se ingerido, pode causar danos irreversíveis. Nas primeiras seis horas, os sintomas assemelham-se a uma embriaguez comum, com tontura e náuseas. No entanto, entre 6h e 24h após o consumo, o quadro evolui para acidose metabólica grave, convulsões e cegueira permanente. Em situações críticas, o paciente pode sofrer falência renal e necrose cerebral.
Guia de sobrevivência: Hidratação e alimentação
Além do risco químico, o calor intenso e o esforço físico nos blocos aumentam as chances de desidratação severa. A Dra. Thaiz Boldrin, do Complexo Hospitalar Heliópolis, na capital paulista, enfatiza a importância de uma alimentação reforçada antes da festa. “Consumir carboidratos antes da folia garante energia e reduz o impacto do álcool no organismo”, explica a médica. A recomendação é intercalar cada copo de bebida alcoólica com água mineral ou bebidas isotônicas.
Dados oficiais revelam que, no último ano, São Paulo registrou mais de 4,2 mil atendimentos por desidratação. Grupos vulneráveis, como diabéticos e idosos com problemas cardíacos, devem ter cautela redobrada com a exposição ao sol e a ingestão de líquidos para evitar sobrecargas no sistema circulatório.
Importante Saber
Como identificar uma bebida segura? Sempre verifique se a garrafa possui lacre intacto, rótulo com informações do fabricante e selo fiscal. Evite “batidas” pré-misturadas vendidas em recipientes sem identificação.
Quais os sinais graves de intoxicação? Visão turva, fotofobia (sensibilidade à luz), dor abdominal intensa e confusão mental são sinais de alerta crítico. Procure um pronto-socorro imediatamente se esses sintomas surgirem após beber.
O que levar para o bloco? Além de garrafas de água lacradas, prefira lanches práticos como castanhas, frutas (banana ou maçã) e barras de cereal para manter os níveis de glicose estáveis.