Os jardins do Museu da República, na zona sul do Rio de Janeiro, vão receber uma nova unidade do Museu do Folclore Edison Carneiro. Nesta sexta-feira (13), um acordo foi assinado entre os órgãos que administram as duas entidades para a instalação de um novo prédio, que permitirá a expansão do museu dedicado à cultura popular e a artesãos de todo o país.

O anúncio do acordo entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que administra o Museu do Folclore, e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), responsável pelo Museu da República, ocorreu paralelamente à inauguração do mural em homenagem ao folclorista Edison Carneiro, no Catete, zona sul.
A nova unidade, dedicada a abrigar obras da cultura popular, registros de saberes e de modos de fazer, deve ser erguida em uma pequena área do jardim do Museu da República adjacente ao Museu do Folclore.
O novo prédio pretende integrar unidades do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), guardar e exibir reserva técnica, ampliar a área dedicada à pesquisa e oferecer um programa educativo, com espaço para auditório e recepções.
De acordo com o presidente do Iphan, Leandro Grass, devem ser investidos entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões na iniciativa, incluindo a reforma da sede e de unidades do CNFCP, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A previsão é de que a conclusão da licitação seja ainda este ano.
“Vamos expandir tanto o museu quanto a reserva técnica, colocar à disposição da população e dos pesquisadores, e dar amplitude ao que já é oferecido hoje”, prometeu Grass.
O acordo, segundo o presidente do Iphan, é o sinal verde para a contratação do projeto executivo, que será conduzido pelo instituto.


Jardins do Museu da República, no Catete Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Acervo popular
O diretor do CNFCP, Rafael Barros, disse que o novo espaço é uma demanda de 20 anos. “A nossa reserva [técnica], hoje, possui mais de 20 mil objetos. É a maior reserva de cultura popular e, infelizmente, não tem as condições técnicas adequadas para guarda e conservação”, explicou.
Com a obra, Barros espera triplicar a área de reserva e ampliar visitas e pesquisas ao material.
“Nossa ideia é que tenha paredes de vidro, para que o público, os moradores, os turistas, todas as pessoas que circulam pelo Museu da República, possam também conhecer e visualizar esse acervo”, adiantou no evento.


Mostra Fabulações transviadas de Caru Brandi, no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP/Iphan. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Para Barros, o diferencial do Museu do Folclore é conectar o público às suas origens e, por isso, há essa demanda antiga por ampliação. A atual unidade do museu funciona na antiga Casa da Guarda do Museu da República.
“A cultura popular é o fundamento da nossa identidade, é aquilo que nos constitui na singularidade e na diversidade e que conforma esse imenso país continental”, destacou.
A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, também destacou a iniciativa como um passo para valorizar um patrimônio brasileiro que deve estar à disposição do público.
“O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular ter um espaço para reserva técnica significa preservar a memória de manifestações culturais que vêm do povo, e o que vem do povo deve orientar as políticas públicas”, afirmou.
O CNFCP, que abriga o Museu do Folclore Edison Carneiro, foi fundado no final da década de 1950 e hoje está vinculado ao Iphan.
A unidade conta com 17 mil objetos e 200 mil documentos bibliográficos e audiovisuais. Há exposições, área de pesquisa e uma loja. O centro funciona todos os dias, exceto às segundas-feiras, das 11h às 17h, na Rua do Catete, 179.