Pesquisa da FZEA alerta para a presença de toxinas fúngicas em produtos alimentícios destinados a crianças no interior paulista.
PIRASSUNUNGA – Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP) identificou a presença de micotoxinas em 51,6% das amostras de alimentos infantis à base de leite analisadas no interior paulista. O estudo avaliou 190 produtos comercializados em farmácias e supermercados das cidades de Pirassununga e Ribeirão Preto, constatando que 98 amostras continham pelo menos um tipo de substância tóxica produzida por fungos.
A investigação fez parte da tese de doutorado do pesquisador Sana Ullah, sob orientação do professor Carlos Augusto Fernandes de Oliveira, e analisou fórmulas infantis e leites em pó fabricados no Brasil. Das amostras analisadas, 32 apresentaram contaminação simultânea por duas a quatro micotoxinas diferentes. Em três casos, os níveis de contaminação superaram o Limite Máximo de Tolerância estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e 11 ultrapassaram os limites definidos pela legislação da União Europeia.
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Inimigo invisível e riscos à saúde infantil
As micotoxinas são compostos tóxicos inodoros, insípidos e incolores gerados por mofos dos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium durante as fases de cultivo, colheita, armazenamento ou processamento dos ingredientes. A zearalenona (ZEN) foi a toxina encontrada com maior frequência, presente em 32% dos produtos analisados, seguida por fumonisinas (22%), ocratoxina A (5,8%), deoxinivalenol (4,2%), toxina T-2 (1,1%) e aflatoxinas (1,1%).
O estudo destaca que os bebês e as crianças pequenas apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos dessas toxinas em razão do menor peso corporal, taxas metabólicas mais elevadas e menor capacidade biológica de desintoxicação. Substâncias como as aflatoxinas e a ocratoxina A possuem elevado potencial carcinogênico e imunossupressor, enquanto a zearalenona interfere no sistema hormonal por mimetizar a ação do estrogênio.
Necessidade de controle na cadeia produtiva
Os pesquisadores ressaltam que os processos industriais com uso de calor conseguem eliminar os fungos, mas não destroem as micotoxinas já formadas, que permanecem estáveis no produto final. Por essa razão, a equipe científica defende o fortalecimento das boas práticas agrícolas no campo e o controle rigoroso da qualidade dos insumos vegetais e do leite desde a origem.
A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista científica Dairy, aponta ainda para a necessidade de ampliar a fiscalização dos órgãos de vigilância sanitária e regulamentar toxinas como a T-2, que ainda não possui limites máximos fixados pela legislação brasileira.
Com informações do Jornal da USP
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