Apetite reduzido pelos medicamentos não garante permanência dos resultados após o fim do tratamento, alerta endocrinologista
RIBEIRÃO PRETO – O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras”, como a semaglutida e a tirzepatida, tem alterado a rotina e a alimentação de pessoas que buscam perder peso. As substâncias mimetizam hormônios do próprio organismo para desacelerar a movimentação no tubo digestivo e amplificar a sensação de saciedade, reduzindo a vontade de comer e o volume de alimentos ingeridos.
Apesar da facilidade proporcionada pela diminuição da fome, o endocrinologista Raphael Del Roio, diretor do Centro de Hiperinsulinismo Congênito do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, alerta que o fármaco isolado não resolve a obesidade. O especialista ressalta que o tratamento exige a combinação entre maior gasto energético e menor consumo alimentar.
Leia também: Alargamento de viaduto interdita passagem da D. Pedro I em Jarinu
O médico adverte para o risco de encarar o produto como uma solução mágica, o que pode levar o paciente a depender da medicação por tempo indeterminado, gerando dúvidas sobre a viabilidade financeira e a saúde a longo prazo. A alta procura do mercado também gerou a circulação irregular de exemplares dessas canetas no país.
Assim como ocorre com as dietas da moda, a interrupção do uso da medicação sem a devida consolidação de novos hábitos no dia a dia faz com que o indivíduo volte a engordar e apresente novamente os problemas anteriores. Para o endocrinologista, a manutenção dos resultados depende exclusivamente da transformação permanente da rotina.
![]()