JARINU – A Câmara Municipal de Jarinu realizou, na tarde da terça-feira (12), mais uma edição da campanha Maio Furta-Cor, dedicada à conscientização sobre a saúde mental materna. O evento reuniu autoridades, profissionais da saúde e famílias para discutir temas fundamentais como depressão pós-parto, burnout materno e a importância da rede de apoio durante a gestação e o puerpério. Instituída no calendário oficial pela Lei Municipal nº 2.400/2025, de autoria dos vereadores Carvalho JC e Renan Matias, a iniciativa busca quebrar o silêncio sobre o sofrimento emocional das mulheres e fortalecer políticas públicas voltadas ao cuidado de quem cuida.
A cerimônia foi marcada por relatos pessoais e técnicos que evidenciaram a necessidade de humanizar o atendimento às mães, garantindo que nenhuma mulher enfrente os desafios da maternidade sem o suporte adequado do poder público e da sociedade.
Leia também: Febraban alerta para o golpe do falso emprego: saiba como se proteger
Relatos de superação e a depressão pós-parto
Um dos momentos mais impactantes do evento foi o depoimento da prefeita Débora Prado. Psicóloga por formação, ela compartilhou sua própria experiência com a depressão pós-parto após o nascimento do filho Benjamin, ressaltando que levou meses para reconhecer que estava sofrendo. O vereador Carvalho JC, um dos autores da lei, também emocionou o público ao recordar as dificuldades psiquiátricas enfrentadas por sua mãe durante sua infância. Ambos reforçaram que o acolhimento deve ser prioridade absoluta, independentemente de ideologias políticas, focando na história de vida de cada mulher.
Nos siga no Facebook – Entre para nosso grupo da RMJ – Instagram
Identidade e rede de apoio
Especialistas em saúde mental trouxeram dados alarmantes e orientações práticas para o público, destacando situações e quadros como esgotamento, a psicanalista Mariana Ferraz alertou para a perda da identidade feminina diante da sobrecarga, onde muitas mães deixam de viver para si mesmas.
A enfermeira Beatriz Alessandra citou que uma em cada cinco brasileiras enfrenta a depressão pós-parto, destacando que, muitas vezes, a escuta qualificada é mais necessária do que uma prescrição médica.
Já a médica Aline Travascio enfatizou que a saúde mental não pode ser isolada de fatores como vulnerabilidade econômica e ausência de rede de apoio, afirmando que cuidar da mãe é cuidar da família inteira.
Políticas públicas e o programa “Comecinho de Vida”
Durante o encontro, a prefeita destacou os avanços de Jarinu na área, como o Plano Municipal da Primeira Infância e o programa “Comecinho de Vida“. Outro ponto celebrado foi a ampliação da licença-paternidade para os servidores municipais, medida que visa incentivar a divisão de tarefas e aliviar a sobrecarga materna desde os primeiros dias de vida do bebê. O secretário de Saúde, Mirailton Moreira Gomes, reforçou que a rede municipal está sendo capacitada para identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico nas gestantes durante o pré-natal.
Homenagens e reconhecimento
A cerimônia encerrou-se com uma homenagem especial a diversas mães do município, indicadas pelos vereadores em reconhecimento às suas trajetórias de vida e resiliência. Entre as homenageadas estavam Laí Bianca da Silva Barbosa, Naara Amanda Cerejo de Azevedo, Maria do Carmo Cabreira Morais, Erivan Mota de Lima e Solange Aparecida Peixoto. Também receberam honrarias a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Diva Aparecida Soranz, e a professora Érica Silveira Lorencini Batistel, que relatou os desafios específicos da maternidade atípica. O evento foi finalizado com um momento de confraternização e o reforço da mensagem central da campanha, reafirmando que “nenhuma mãe deve caminhar sozinha“.
Assine nossa newsletter:
![]()