REGIÃO METROPOLITANA DE JUNDIAÍ – O mercado de locação residencial e comercial da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) atravessa um período de forte transformação. Nos últimos anos, cidades como Jundiaí, Louveira e Itupeva registraram pressão crescente nos preços dos aluguéis, enquanto municípios mais acessíveis, como Jarinu, Campo Limpo Paulista e Cabreúva passaram a receber parte da demanda de moradores e pequenos empresários que deixaram os centros mais valorizados.
Levantamentos do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo mostram que a região viveu um ciclo de valorização acelerada após a pandemia, impulsionado principalmente pelos juros altos, pela dificuldade de financiamento imobiliário e pelo aumento da procura por imóveis para locação.
Na prática, muitas famílias desistiram de comprar a casa própria e permaneceram mais tempo no aluguel. Isso aumentou a disputa por imóveis disponíveis e pressionou os preços, sobretudo nas cidades mais estruturadas economicamente.
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Mercado regional ficou mais caro e também mais instável
Os números do CRECISP revelam que o comportamento do mercado imobiliário regional foi marcado por oscilações intensas entre 2025 e o início de 2026.
Em abril de 2022, a pesquisa já mostrava um mercado concentrado em imóveis de aluguel de até R$ 1.750 mensais. Naquele momento, a locação residencial na região chegou a registrar queda de 7,14% no mês, mas o dado indicava que os preços já avançavam acima da capacidade de renda de parte da população.
A partir de 2025, o cenário ficou mais volátil. Houve meses de crescimento expressivo nas locações, seguidos por retrações bruscas. Em abril de 2025, por exemplo, a região registrou alta de 8,68% nos contratos. Já em julho, o movimento caiu 31,23%. No mês seguinte, agosto, voltou a subir 25,34%.
Em fevereiro de 2026, o mercado voltou a desacelerar. O CRECISP apontou queda de 26,67% nos novos contratos de locação residencial na região de Jundiaí, além de redução de 10,67% nas vendas de imóveis. No acumulado de 12 meses, as locações apresentaram retração de 44,31%.
Apesar da redução no volume de contratos, especialistas do setor observam que isso não significou queda generalizada dos preços. O que ocorreu foi uma combinação entre menor oferta, consumidores mais seletivos e dificuldade financeira para fechar contratos em faixas mais elevadas.
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Jundiaí lidera valorização e mantém mercado mais forte da região
Entre todas as cidades analisadas, Jundiaí continua sendo o principal polo imobiliário e econômico da RMJ.
A cidade concentra maior renda média, infraestrutura mais consolidada, oferta de empregos e grande diversidade de serviços. Esses fatores sustentam um mercado imobiliário mais aquecido e ajudam a explicar por que os aluguéis permanecem entre os mais altos da região.
Estimativas de mercado apontam que os aluguéis em Jundiaí subiram entre 5% e 15% ao longo de 2025, dependendo do bairro e do padrão do imóvel. Regiões próximas a corredores comerciais, serviços, escolas e acessos rodoviários registraram pressão ainda maior.
O mercado comercial também mudou de perfil. Enquanto áreas centrais tradicionais passaram a enfrentar maior vacância, pontos menores próximos a bairros residenciais ganharam força, especialmente para serviços, alimentação e comércio de conveniência.
Além disso, Jundiaí segue atraindo empresas por conta da localização estratégica entre São Paulo e Campinas, da logística favorável e da renda local mais elevada. Isso mantém a demanda por imóveis comerciais em patamar superior ao das cidades vizinhas.
Louveira e Itupeva acompanham valorização
Louveira aparece como uma das cidades com maior pressão de preços fora de Jundiaí. A combinação entre localização privilegiada, padrão de renda mais alto e qualidade urbana contribuiu para elevar o valor dos imóveis residenciais e comerciais.
Já Itupeva passou a ocupar uma posição intermediária no mercado regional. O município vem crescendo urbanisticamente, atraindo novos empreendimentos e ampliando a procura por moradia e pontos comerciais, especialmente em áreas de expansão.
Com isso, Itupeva se tornou uma alternativa para quem busca custo menor que Jundiaí, mas ainda quer permanecer próximo dos principais polos econômicos da região.
Várzea Paulista ganha força como alternativa de custo-benefício
Várzea Paulista aparece como uma das cidades que mais se beneficiaram do chamado “efeito transbordamento” do mercado imobiliário regional.
Com os preços elevados em Jundiaí, parte dos moradores passou a procurar imóveis em municípios vizinhos. Várzea Paulista ganhou competitividade justamente por oferecer aluguel mais acessível sem romper a conexão com o mercado de trabalho jundiaiense.
O mesmo fenômeno ocorre, em menor escala, em Campo Limpo Paulista e Cabreúva, onde os custos costumam ser menores, mas a estrutura urbana e o dinamismo econômico ainda são mais limitados.
Jarinu tem aluguel mais barato, mas mercado menor
Em Jarinu, o mercado imobiliário apresenta comportamento diferente dos grandes centros regionais.
Os preços ainda costumam ser mais baixos em boa parte da cidade, principalmente quando comparados a Jundiaí e Louveira. No entanto, o município possui menor liquidez, menos oferta e um mercado mais sensível às oscilações de procura.
Isso significa que pequenas mudanças na demanda conseguem provocar altas rápidas em determinados bairros, justamente porque a disponibilidade de imóveis é mais limitada.
Jarinu também passou a absorver moradores que deixaram cidades mais caras da região em busca de aluguel mais acessível. Esse movimento ajudou a pressionar gradualmente os preços locais nos últimos anos.
Itatiba mantém perfil intermediário
Itatiba segue ocupando posição intermediária entre custo e infraestrutura.
A cidade ainda oferece bairros com aluguel abaixo da média de Jundiaí, mas mantém boa estrutura urbana e qualidade de vida considerada competitiva dentro da RMJ.
Para empresas, porém, o custo efetivo de ocupação depende não apenas do aluguel, mas também de despesas como IPTU, taxas municipais e exigências para funcionamento de atividades específicas.
Juros altos e construção civil pressionam preços
Os principais fatores que explicam a alta dos aluguéis na Região Metropolitana de Jundiaí são os mesmos observados no restante do país.
O primeiro deles é o encarecimento do crédito imobiliário. Com financiamentos mais caros, muitos consumidores adiaram a compra da casa própria e migraram para o aluguel.
Outro fator importante é o custo elevado da construção civil, que reduz o ritmo de novos empreendimentos e limita a ampliação da oferta de imóveis.
Também pesa a preferência crescente por bairros com infraestrutura consolidada, acesso rodoviário, serviços e mobilidade urbana. Nessas regiões, a procura supera a disponibilidade de imóveis e provoca valorização mais rápida.
Tendência para 2026 é de acomodação, mas sem queda brusca
Embora os números mais recentes indiquem retração na quantidade de contratos fechados, o mercado ainda não demonstra sinais claros de queda acentuada nos preços.
O cenário atual aponta mais para uma acomodação depois de um período de forte valorização. A expectativa do setor imobiliário é de manutenção da procura por locação, especialmente enquanto os juros permanecerem elevados e o crédito imobiliário continuar restrito.
Na prática, a tendência é que cidades mais estruturadas, como Jundiaí e Louveira, mantenham aluguéis mais altos, enquanto municípios como Jarinu, Campo Limpo Paulista e Cabreúva continuem funcionando como alternativas para quem busca reduzir custos de moradia ou operação comercial.
Entre os especialistas do mercado regional, a percepção é de que a disputa por imóveis continuará forte nas áreas com melhor infraestrutura, acesso e potencial econômico, mesmo em um cenário de desaceleração no volume de novos contratos.
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