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INTERNACIONAL – O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, voltou a ser o centro de uma disputa diplomática e comercial entre Brasília e Washington. No mais recente National Trade Estimate Report (relatório anual publicado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA – USTR-) de 2026, os Estados Unidos listaram o Pix como uma barreira comercial, alegando que o Banco Central do Brasil concede “tratamento preferencial” à plataforma, o que feriria os interesses de fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA.
O argumento americano
A crítica dos EUA concentra-se no fato de o Banco Central não apenas regular, mas também deter e operar o Pix, exigindo sua adoção por instituições financeiras com mais de 500 mil contas. Para o governo Trump, essa infraestrutura pública retira espaço de mercado de gigantes privadas americanas, como as operadoras de cartões de crédito. O inquérito, fundamentado na Seção 301 do Trade Act de 1974, busca determinar se o Brasil utiliza o sistema para discriminar empresas estrangeiras.
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O que os EUA podem fazer?
Embora os americanos não tenham poder para “desligar” ou alterar o Pix diretamente, eles possuem armas econômicas potentes para pressionar o governo brasileiro. Entre as medidas citadas por especialistas em comércio exterior estão a suspensão de acordos comerciais, a imposição de novos “tarifaços” sobre produtos brasileiros exportados para os portos americanos e a retirada do Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP), que oferece benefícios tarifários.
Soberania e reação do Governo brasileiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom em defesa da ferramenta, que se tornou um símbolo de eficiência tecnológica nacional. “Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix“, declarou, reforçando que o sistema é uma questão de soberania nacional. A posição brasileira recebeu apoio internacional, incluindo o do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que defendeu o modelo público de infraestrutura financeira.
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O Pix como campo de batalha eleitoral
A polêmica já transbordou para a arena política doméstica, visando as eleições de 2026. Enquanto membros do governo utilizam as críticas de Trump para rotular a oposição como “submissa aos interesses americanos“, pré-candidatos da oposição, como o senador Flávio Bolsonaro, viram-se obrigados a vir a público negar qualquer intenção de extinguir o Pix, defendendo a manutenção do sistema que hoje é essencial para a economia popular.
A investigação do USTR continua em andamento e, por enquanto, o cenário é de forte pressão diplomática. O desfecho dependerá da capacidade da diplomacia brasileira em negociar e do equilíbrio de forças na Organização Mundial do Comércio (OMC).
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