SÃO PAULO – O Brasil enfrenta um cenário alarmante no bem-estar animal, com cerca de 4,8 milhões de cães e gatos vivendo em situação de vulnerabilidade. O dado, extraído do Instituto Pet Brasil, acende um alerta para o problema do abandono, que tende a se intensificar drasticamente durante períodos de férias e festas de fim de ano.
Especialistas apontam que o crime de abandono é multifatorial, mas possui um gatilho principal: a falta de planejamento no momento da aquisição ou adoção. Muitas famílias agem por impulso, sem considerar que um animal demanda tempo, recursos financeiros e adaptações na rotina que podem durar mais de uma década.
O peso sobre as ONGs
Enquanto o número de animais desamparados cresce, a capacidade de acolhimento das Organizações Não Governamentais (ONGs) está no limite. Atualmente, pouco mais de 201 mil animais estão sob a tutela dessas instituições no País. A disparidade entre a demanda e a oferta de resgate evidencia que o trabalho voluntário, embora essencial, não consegue suprir a ausência de políticas públicas eficazes e de conscientização social.
Segundo Andrea Bombonato, diretora da ONG Focinhos S.A., muitos tutores ainda enxergam o pet como um objeto descartável. “Muita gente acredita que deixar o animal na porta de uma ONG não é abandono, mas transferir a responsabilidade quando surgem dificuldades é uma forma cruel de negligência”, afirma.
Barreiras para a guarda responsável
A médica veterinária Ana Lúcia Baldan, mestre pela USP, explica que problemas comportamentais — muitas vezes gerados pelo próprio manejo inadequado do tutor — são motivos frequentes de desistência. Medo, ansiedade ou agressividade do animal acabam sendo vistos como “defeitos”, levando ao descarte em vez da busca por treinamento ou paciência na adaptação.
Além disso, eventos da vida humana costumam recair sobre os pets:
- Mudanças de residência: Imóveis que não aceitam animais.
- Crises financeiras: Desemprego ou queda na renda familiar.
- Alterações na estrutura familiar: Divórcios ou nascimento de filhos.
O que considerar antes de adotar?
Para evitar que o ciclo de abandono continue, especialistas recomendam uma autoavaliação rigorosa antes de levar um novo membro para casa:
- Tempo disponível: Você terá horas para passeios, higiene e atenção?
- Orçamento: O planejamento inclui vacinas, ração de qualidade e consultas veterinárias de emergência?
- Ambiente: O espaço é seguro e adequado ao porte e energia do animal?
- Consenso familiar: Todos na casa estão de acordo com a chegada do pet?
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