Justiça decreta prisão preventiva de pais acusados de torturar filho

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JUNDIAÍ – A Justiça de Jundiaí converteu em prisão preventiva o flagrante dos pais suspeitos de agredir e torturar o filho de 10 anos. A decisão foi tomada em audiência de custódia realizada na tarde da quinta-feira, (13). O pai será encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jundiaí, e a mãe, à Cadeia Pública Feminina de Itupeva, onde aguardarão a sequência das investigações e novas decisões judiciais.

A denúncia e a prisão

O caso veio à tona na noite de quarta-feira, 12), graças à denúncia de uma técnica do Fórum de Jundiaí, que acionou o Conselho Tutelar. Mesmo de folga, uma conselheira tutelar agiu rapidamente, dirigindo-se a uma escola particular infantil na Vila Municipal, onde a criança estava. Após ouvir os primeiros relatos de agressões graves, a conselheira acionou a Guarda Municipal para garantir a segurança da abordagem aos pais.

Os guardas municipais realizaram a prisão do homem de 43 anos e de sua esposa, de 37. Segundo os relatos dos GMs e da conselheira, os pais não demonstraram qualquer reação emocional ou arrependimento no momento da prisão. A criança foi prontamente levada ao Hospital Universitário, onde exames confirmaram múltiplas fraturas.

O horror revelado pela criança

Na escola, a conselheira, juntamente com a equipe pedagógica e uma representante da secretaria de educação, constatou a gravidade da situação. A criança apresentava hematomas recentes na mão e na região lombar, além de dificuldades para andar e muitas dores.

Questionado, o menino de 10 anos revelou um cenário de horror, afirmando que era agredido frequentemente pela mãe, que utilizava uma raquete como forma de punição. O garoto relatou que era obrigado a permanecer durante a noite em posição de flexão, apenas de cueca, trancado em um escritório, sem alimentação adequada e privado de sono. Ele também alegou que o pai era conivente e participava das sessões de tortura.

O irmão da vítima, também ouvido, confirmou as denúncias e apresentou cicatrizes pelo corpo, indicando que também era alvo de agressões. Ambos foram informados sobre o atendimento médico e acolhimento institucional que receberiam. Diante da gravidade das denúncias, a conselheira acionou a Guarda Municipal e afastou a filha mais nova do ambiente. Os pais foram presos e levados ao Plantão Policial, onde o flagrante foi registrado.

O atendimento médico e a investigação

No Hospital Universitário, a criança de 10 anos reforçou as denúncias, acrescentando que, além das raquetadas, tinha os cabelos arrancados e os testículos apertados pela mãe. Ele também era obrigado a ficar sem tomar banho por até duas semanas e sem se alimentar, como forma de punição. O exame clínico confirmou as múltiplas fraturas e alterações abdominais, e uma ultrassonografia foi solicitada. O garoto permanece internado, acompanhado pelo irmão de 8 anos, que também apresentava lesões.

O Hospital Universitário informou que as duas crianças estão sob acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com monitoramento constante da evolução clínica e suporte às vítimas e suas famílias. Ao deixar o hospital, eles se juntarão à irmã em um abrigo.

O delegado plantonista Elvis Rodrigues Rocha determinou que os irmãos sejam ouvidos por meio de escuta especializada, para evitar revitimização e apurar a extensão das agressões. A investigação será conduzida pela Polícia Civil para apurar todos os detalhes deste grave caso de violência contra a criança.

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