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Jarinu
11 de agosto de 2022

Cidades da região têm água contaminada nas torneiras

Pesquisa realizada, entre 2018 e 2020, pelo Mapa das Águas, do Repórter Brasil, mostra que a água que saiu da torneira continha substâncias químicas e radioativas acima do limite em 25% das 763 cidades brasileiras pesquisadas. Entre elas quase todas todas as cidades da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) – Campo Limpo Paulista e Várzea Paulista são as exceções, além de Itatiba e Atibaia.

São agrotóxicos e outros resíduos da indústria que se misturam aos rios e represas. Essas substâncias são prejudiciais à saúde quando estão acima do limite demarcado pelo Ministério da Saúde. O consumo diário aumenta o risco de câncer, mutações genéticas, problemas hormonais, nos rins, fígado e no sistema nervoso.

Em Jarinu, por exemplo, foram detectados, acima dos limites de segurança:

Clordano (agrotóxicos), que pode causar distúrbios endócrinos, ou seja, alterações que afetam o sistema hormonal e possivelmente cancerígeno para humanos. O uso do inseticida é proibido tanto no Brasil e na União Europeia;

Ácidos haloacéticos total (Subprodutos da desinfecção) que são classificados como possivelmente cancerígeno para humanos. Em altas concentrações, os ácidos haloacéticos também podem gerar problemas no fígado, testículos, pâncreas, cérebro e sistema nervoso;

Trihalometanos Total (Subprodutos da desinfecção), compostos químicos e orgânicos que derivam do metano. Ele inclui substâncias como o clorofórmio, classificado como possivelmente cancerígeno. A exposição oral prolongada a esta substância pode produzir efeitos no fígado, rins e sangue. Os trihalometanos são utilizados como solvente em vários produtos (vernizes, ceras, gorduras, óleos, graxas), agente de limpeza a seco, anestésico, em extintores de incêndio, intermediário na fabricação de corantes, agrotóxicos e como fumigante para grãos. Alguns países proíbem o uso de clorofórmio como anestésico, medicamentos e cosméticos.

Em Itatiba além dos ácidos haloacéticos e dos trihalometanos, também encontrou concentrações perigosas de chumbo, que é classificado como provavelmente cancerígeno para o ser humano. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, não há nível seguro de exposição ao elemento, especialmente para crianças, que podem desenvolver problemas de comportamento, de aprendizado e de crescimento. O chumbo pode causar danos ao sistema neurológico, hematológico, gastrintestinal, cardiovascular, reprodutor e renal. Depois de entrar em contato com o chumbo por longos períodos, adultos tiveram aumento da pressão sanguínea, danos renais e efeitos neurológicos. As diversas formas do metal são utilizadas como ingredientes em soldas, lâminas de proteção contra raios X, material de revestimento na indústria automotiva, revestimento de cabos, placas de bateria, esmaltes, vidros, componentes para borracha, tintas e pigmentos.

Clique na cidade e confira os dados de cada município: Jarinu, Itatiba, Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Várzea Paulista, Cabreúva, Itupeva, Louveira e Atibaia.

O Mapa da Água, que destaca que os dados são resultados de testes feitos por empresas ou órgãos de abastecimento e enviados ao Sisagua (Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano), do Ministério da Saúde. Os testes foram realizados após o tratamento e a maioria dessas substâncias não pode ser removida por filtros ou fervendo a água.

“Se há substância acima do valor máximo permitido, podemos dizer que a água está contaminada”, afirma Fábio Kummrow, professor de toxicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Contaminada ou imprópria, Kummrow confirma que existe risco para quem bebe a água, e ele varia de acordo com a substância e com o número de vezes que ela foi consumida ao longo do tempo.

O risco é maior para quem bebeu diversas vezes ao longo de anos. É o caso de quem mora nas cidades indicadas pela pesquisa.

Empresas escondem os dados

Os testes são financiados com dinheiro público e de quem paga a conta d’água, mas os resultados estão trancados a sete chaves. As companhias de abastecimento deveriam informar à população sempre que uma substância aparece acima do limite, como determina a portaria sobre a potabilidade da água. Mas isso não acontece.

A Sabesp, responsável pela distribuição de água em mais de 370 municípios paulistas, incluindo a capital, divulga apenas o que chama de “parâmetros básicos”, como cor, turbidez e coliformes fecais. Nem mesmo pesquisando no site é possível acessar as substâncias químicas acima do limite.

O mesmo problema foi encontrado com Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) e Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).

Nos Estados Unidos e União Europeia, qualquer um pode consultar testes de todas as substâncias presentes na água. E, em muitos desses países, as empresas monitoram um número maior de substâncias e alertam os consumidores em caso de problemas.

“Se contaminantes microbiológicos são encontrados, por exemplo, uma determinação para ferver a água é enviada aos consumidores por e-mail, SMS, rádio etc.”, afirma Dorte Skræm, da Danva, organização que representa serviços de água na Dinamarca. Segundo ele, a transparência é total. “Houve um caso [de contaminação] há alguns anos que envolveu 500 mil habitantes, a mídia cobriu e foi usada para informar os consumidores”.

Avisos assim deveriam ter ocorrido nos 763 municípios que identificaram testes acima do limite.

“O quadro revelado por esses dados é grave”, afirma Leo Heller, pesquisador da Fiocruz e Relator Especial do Direito Humano à Água da ONU entre 2014 e 2020. “Eles mostram omissões e falhas dos órgãos e serviços que fazem parte de uma importante cadeia de responsabilidades”.

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